Tennis Route

Facebook Instagram Twitter YouTube
tennis route

Notícias

Jet lag, voos remarcados e altos gastos. A rotina de viagens dos tenistas
04 de Janeiro de 2017

Jet lag, voos remarcados e altos gastos. A rotina de viagens dos tenistas

Sobre

A temporada 2017 do tênis mundial começou oficialmente na última segunda-feira. E com ela teve também início o périplo dos tenistas pelo mundo. São praticamente 11 meses cruzando o planeta, seja em avião, trem ou carro.

Tenistas tops, como Roger Federer, Rafael Nadal, Novak Djokovic e Serena Williams, por exemplo, muitas vezes podem contar com jatinhos particulares para estas viagens. Mas esta é uma realidade para poucos.

E temas que fazem viajantes normais quebrarem a cabeça, também perseguem os tenistas. Quanto levar de roupa na bagagem? Como marcar um voo sem saber até quando você vai jogar em um torneio? Quanto custa tudo isso?

O UOL Esporte mostra para você como os tenistas se organizam para elaborar a complicada logística e reduzirem ao máximo o estresse das inúmeras e, na maioria das vezes, longas viagens.


Viajar pelo mundo não é nem um pouco barato


Um turista comum pode comprar passagens de volta ao mundo por cerca de US$ 4,5 mil (R$ 14,5 mil), mas há restrições na quantidade de deslocamentos e períodos para fazer as viagens. Assim, não servem como opções para os tenistas. Comprar cada trecho de maneira separada é o que resta, e aí os gastos se elevam bastante.

"Só no meu deslocamento eu gasto cerca de 30 mil dólares ao ano (R$ 98 mil)", conta Bruno Soares. "Apesar de a Emirates ser patrocinadora da ATP não temos nenhum tipo de desconto para comprar passagens", prossegue o jogador que vive em Belo Horizonte.

"Em média, costumo gastar uns R$ 120 mil", calcula Marcelo Melo. Já Thomaz Bellucci não dá um valor exato: "Não sei exatamente, mas o custo é bem alto já que voo para 25, 30 cidades por ano".

Já em relação à hospedagem, os tenistas têm direito a hotel de forma gratuita enquanto estiverem na disputa da chave. Quando eliminados, precisam fazer o check-out no dia seguinte. Mas muitas vezes, os jogadores ainda permanecem na cidade treinando. Então, é possível dar um jeitinho.

"Se sou eliminado e o Marcelo ainda está jogando e tem um lugar no quarto, eu vou para lá. Ou vice-versa. Também faço isso com outros amigos do circuito", relata Soares.


Classe executiva ou econômica?


Com os tenistas recebendo premiações altas em muitos torneios e bons patrocínios, você até pode imaginar que todos eles vão de classe executiva desfrutando de todas as mordomias. Mas a realidade não é bem assim. Na maioria das vezes, em voos curtos dentro dos continentes, a opção não existe. E até em voos transatlânticos, os tenistas optam pela economia.

"Sempre viajo de econômica, não importa onde vá", conta Bia Maia, segunda melhor brasileira no ranking mundial. "Sempre vou de econômica. Quando dou alguma sorte, recebo uns upgrades para executiva (risos)", diz João Souza, o Feijão.

"Eu normalmente vou de econômica. Tento sempre conseguir a saída de emergência, por causa do espaço. Porém, eu sempre pergunto da disponibilidade para fazer upgrades e algumas vezes eu consigo", diz Marcelo Melo, que mede 2,03m e na maioria das vezes sofre com o pouco espaço para as pernas.

Quem já viajou de classe econômica para se punir pelo mal desempenho foi a ex-número 1 do mundo Venus Williams. Após ser eliminada na terceira rodada de Roland Garros em 2008, encarou mais de oito horas de voo entre Paris e os Estados Unidos sem nenhum luxo.

"Para falar a verdade, eu estava extremamente confortável e feliz", disse à CNN.

Viagens de trem ou de carro também são comuns para os atletas quando estão na Europa e muitas vezes acabam sendo mais rápidas do que as aéreas, que têm esperas em aeroportos.

"Gosto bastante de viajar de trem, então muitas vezes opto por isso. Nos Estados Unidos também alugo carro", diz Bruno Soares.


Marcação de passagens sempre causa dor de cabeça


O quebra-cabeça mais complicado de ser resolvido é a programação das viagens. Afinal, o tenista pode ter de deixar o local do torneio do primeiro ao último dia, dependendo de como for o desempenho. E aí cada um adota uma estratégia para contornar isso.

Bruno Soares, por exemplo, conta que para uma sequência de quatro torneios na Europa, Ásia ou Estados Unidos sempre compra uma passagem de ida do Brasil para o primeiro país onde jogará e a volta do último país em um domingo ou segunda-feira. Os bilhetes para deslocamentos menores vão adquirindo aos poucos. "É difícil acertar, muitas vezes você precisa remarcar mesmo".

"A marcação de passagem é um dos problemas nas viagens, o tênis é imprevisível e muitas vezes acaba que temos que alterar a data da passagem mais de uma vez na semana caso esteja avançando para as finais, mas sempre definimos um dia da semana e dependendo de como for a gente altera ou não", diz Thiago Monteiro.

Marcelo Melo sofreu bastante com isso em 2016. No fim de julho, conquistou o título do Masters 1.000 de Toronto (CAN) em um domingo, e nos dias seguintes já precisaria estar no Rio para disputar a Olimpíada. E com os voos todos lotados, teve enormes dificuldades para conseguir uma maneira de vir ao Brasil. Fez até apelo no Twitter. No fim, conseguiu resolver e pegou voo direto.

A mesma sorte não teve a polonesa Agnieszka Radwanska, que levou 55 horas para chegar ao Rio de Janeiro, após ter de fazer uma escala em Lisboa, do outro lado do Atlântico.


Voar sempre causa algum tipo de tensão. Mas não para todos


Apesar de passarem grande parte do ano em cima de aviões, alguns tenistas admitem que não gostam nem um pouco de voar. Entretanto, é um mal que querendo ou não precisa ser encarado.

"Não gosto de viajar, não gosto de turbulência. Durmo à base de remédios fortes", confessa Bruno Soares.

"Não gosto muito de voar, muito por causa de todo o processo que tem que passar nos aeroportos ate chegar no avião. Mas também não tenho medo. Por sorte durmo fácil nos voos e não sinto tanto turbulências ou algo do tipo", diz Thiago Monteiro.

Rafael Nadal já admitiu também que odeia turbulências e tenta se distrair de alguma maneira durante um ou outro momento mais tenso do voo.

"Sou um viajante inquieto se o avião começa a se mover muito. Eu suo. Mas não há nada que eu possa fazer, apenas ter a confiança de que tudo vai ficar bem. Uso o sistema de entretenimento para tentar me acalmar", disse o espanhol em uma entrevista à CNN.

"Eu sempre dormi muito bem nos voos…acostumei. Claro que tem alguns voos que dá aquele friozinho na barriga, uma turbulência mais pesada e tal... Mas em geral eu consigo dormir bem", diz Bia Maia.

Marcelo Melo também costuma desfrutar dos voos. "Eu sempre gostei de voar. Vejo programas de avião, procuro ler sobre aviões, etc. Não tomo nenhum remédio para voar. Costumo dormir em um voo de longa distância, após ver um filme".


Jet lag é inevitável. Segredo é saber se adaptar


Talvez a parte mais dura e que mais impacte os tenistas é o jet lag (fadiga de viagem) causado pelos longos deslocamentos. Uma má adaptação ao fuso horário pode ser prejudicial à saúde e ao desempenho físico. Como ele é inevitável, a questão toda é saber como diminuir os efeitos.

Em outubro, por exemplo, os jogadores saem de Xangai (CHN) em uma semana e na seguinte já estão atuando na Europa, em uma diferença de fuso superior a seis horas. Isso também acontece de forma aguda no fim de janeiro, quando os atletas jogam o Aberto da Austrália e depois precisam ir aos mais variados países para a disputa da Copa Davis ou dar início à gira sul-americana de saibro.

"Gosto de chegar cedo no torneio para ter tempo hábil para essa adaptação. Para Europa, demoro uns 3,4 dias para adaptar ao fuso e para Ásia até uma semana", diz Bellucci.

"Normalmente, eu preciso de 3 a 5 dias para me adaptar. As vezes costumo acordar de madrugada e não consigo mais dormir, até me adaptar", diz Melo.


Como preparar a mala para tantos dias fora?


Os tenistas costumam passar muitas vezes mais de 20 semanas fora de casa. Apesar disso, não costumam levar muito peso ou malas gigantes, mesmo porque em muitos voos locais existe restrição de bagagens. Além disso, todos os torneios fornecem serviço gratuito de lavanderia para os tenistas, diminuindo bastante a quantidade de roupas que precisa ser levada.

"Eu tenho um padrão para todas as viagens. Levo dez cuecas, dez meias, dez bermudas e dez camisetas de treino e de jogo e uns três ou quatro pares de tênis. O resto depende da estação do ano, se levo um casaco, uma calça. Também costumo levar uma roupa um pouco mais casual, algo mais chique para um ou outro evento que tenhamos. Minha mala não passa dos 23 quilos", conta Bruno Soares.

"Normalmente eu levo por volta de 30kg. Eu tenho que lavar as roupas todas as semanas. Nós temos uma demanda muito grande por treinar todos os dias. Não sou muito de comprar, mas quando compro prefiro comprar já de uma vez para durar um bom tempo", diz Melo.

O que os tenistas não deixam para comprar em cima da hora ou pegar em torneios são as raquetes, pois a maioria é feita com exigências específicas.
"Costumo viajar com seis raquetes", diz Bellucci.


Aparelhos eletrônicos também não podem faltar


Outra coisa que nenhum tenista desgruda são de aparelhos eletrônicos como celulares, laptops, e-readers. Não apenas para se manterem informados, como também para matar o tempo em longas esperas.

"Na minha mala também não pode faltar um bom livro, computador, celular e carregador extra. Vida de aeroporto pode ser bem cansativa, jogar joguinho no celular ajuda muito a passar o tempo! Atualmente estou jogando muito Clash of Clans", conta Bellucci.

"Não pode faltar nunca a minha caixinha de música", diz Feijão

Fonte: http://esporte.uol.com.br/

Últimas notícias

Sakamoto conquista o título em Bucareste
25 / Junho / 2017

Sakamoto conquista o título em Bucareste

Continuar lendo +
Sakamoto na final em Bucareste
24 / Junho / 2017

Sakamoto na final em Bucareste

Continuar lendo +
Bia Maia fura o quali no WTA de Mallorca
19 / Junho / 2017

Bia Maia fura o quali no WTA de Mallorca

Continuar lendo +
Publicidade Solinco Patrocinadores